Dir: Guillermo del Toro
Cotação: 10/10
Gosto muito dessa vertente do cinema que consegue mesclar o mundo adulto com o infantil. Diferente de filmes que são para crianças, mas podem ser assistidos pelos mais velhos como o excelente Desventuras em série e também A fantástica Fábrica de chocolates, O Labirinto do Fauno é um filme adulto que traz a fantasia como recurso, mas por favor, tirem os filhos, priminhos ou qualquer “pessoinha” da sala.Ambientado na Espanha, em 1943 – Ditadura de Franco – o filme conta a história de Ofélia, menina que perdeu o pai e se mudou com a mãe para viver com o Capitão Vidal, seu novo padrasto e um homem desprezível e obcecado em conter as revoltas contra a ditadura ainda presentes no período. Em meio a todo sofrimento, fruto da violência do padrasto e da doença da mãe que está grávida, Ofélia encontra num antigo labirinto, próximo à sua nova casa, um mundo que a permite fugir da dura realidade que tem que enfrentar.
Os extraordinários efeitos visuais e a fotografia, sempre acompanhando o tom sombrio do filme, dão um toque imprescindível à história. Mas, apesar de ter sido amplamente premiado nesses quesitos – e com razão –, o que realmente me atraiu foi o modo como o argumento foi trabalhado. Durante o filme algumas dicas são dadas de que tudo pode não passar de imaginação, como quando Mercedes, uma das empregadas da casa, diz para Ofélia que não se deve confiar em Faunos. Apesar disso, nós não queremos ser convencidos e, até quando o filme termina, temos a escolha de acreditar ou descartar o que acabamos de ver. Para sustentar o pensamento dos que acham que tudo foi verdade, fica a pergunta: quem deu aquela planta para a garota pôr embaixo da cama da mãe?
Importante ressaltar os fortes momentos de violência do filme – alguns incomodam muito, como aquele em que Vidal assassina um caçador de coelhos e seu filho. Acredito que, para muitos, as cenas vão soar como gratuitas, mas para mim funcionam como o elemento perfeito para a construção de toda a atmosfera do filme e também para dar sentido às atitudes da protagonista.
Transitando freqüentemente entre realidade e fantasia, o filme nos faz sentir crianças novamente. Não que seja essa a solução para enfrentarmos os problemas, mas é sempre bom voltar a ver a vida com outros olhos...
Postado por Andressa Cangussú






