sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Lendo...

Os cineastas (2002)
Roberto D'Avila
Editora: Bom Texto


Seja por gosto, seja por uma razão cultural, ou até mesmo pela dificuldade de acesso, nos acostumamos a conhecer de forma mais aprofundada o trabalho dos cineastas de qualquer lugar do mundo que não o Brasil.

O cinema brasileiro vem passando por um processo de afirmação e isso, de fato, é muito positivo. Entretanto, há aqueles que já marcaram a história e que não podem ser esquecidos, mesmo que produzam (ou tenham produzido) filmes de qualidade questionável.

Por isso me interessei pelo livro Os cineastas, no qual Roberto D'Avila entrevista Nelson Pereira, Cacá Diegues, Bruno Barreto, Zelito Viana, Hugo Carvana e Walter Salles. Além das entrevistas, há uma breve biografia de cada um, assim como suas filmografias, fotos dos bastidores e de cenas dos filmes.

PS: Obrigada pelo livro meu bem...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Uma novela a menos, um filme a mais

De volta depois de semanas de computador quebrado e 4 dias de viagem...

O Primo Basílio (Idem, 2007)
Dir: Daniel Filho



O Primo Basílio foi uma grata surpresa. Apesar de ter trazido poucas novidades em sua construção, Daniel Filho conseguiu realizar a difícil tarefa de dar um ar de filme a uma das produções Globais. Tal comentário deve soar absurdo aos que ainda não tiveram a chance de assistir a película e se deparam com um elenco mais que novelesco: Fábio Assunção, Débora Falabella e Reinaldo Gianechinni.

A força da narrativa está, entretanto, numa atriz ainda não citada. Glória Pires dá um show de interpretação e faz uma vilã livre de tipos, que incomoda pela situação em que se encontra e não por ser uma pessoa maquiavélica, como costumam ser os “melhores” vilões.


A adaptação, de forma geral, é fiel à obra de Eça de Queiroz, mas não há dúvidas de que todo o lirismo se perde na passagem para a telona. Uma das partes mais prejudicadas é o final, que parece ser jogado de qualquer jeito, apenas para que o filme possa terminar, não transmitindo sequer um pouco de emoção – efeito causado também pela fraca atuação de Gianechini que não atrai nenhuma simpatia para sua personagem, quem dirá pena.
As cenas de sexo não me agradaram, principalmente pela falta de envolvimento afetivo das personagens. É claro que o desejo está presente no adultério, mas a personagem Luísa é marcada, sobretudo, por um romantismo cego e exacerbado que definitivamente não foi revelado nessas cenas.
Os efeitos de câmera estão lá, mas parecem gratuitos, o que pra mim soa ridículo e uma tentativa desesperada de dar movimento ao filme.

Tropeções à parte, O Primo Basílio superou as minhas expectativas, mesmo porque elas eram baixas. Continuarei não sendo fã do trabalho de Daniel Filho, que sempre me pareceu um cineasta intermediário, mas um pouco de superação não faz mal a ninguém.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Déjà vu

Paranóia (Disturbia, 2007)
D.J. Caruso



Não...não vou falar do recente filme protagonizado pelo Denzel Washington. Vamos lá: Personagem central em casa, com binóculos, espiando vizinhos, descobrindo os podres deles... Se o maravilhoso clássico Janela Indiscreta veio à sua cabeça, pode desistir. O de já vu pára por aí, pois o novo thriller Paranóia não vai longe na tentativa de transformar uma janela indiscreta numa fonte convincente de suspense.

O filme narra a historia de Kale (Shia LaBeouf), um garoto que, traumatizado pela violenta morte do pai, é submetido à prisão domiciliar após agredir um professor. Limitado e entediado, ele passa a bisbilhotar pelas janelas a vida da vizinhança. Começa então a relacionar uma série de assassinatos veiculados pela mídia a um de seus vizinhos e, com a ajuda dos amigos, faz de tudo para solucionar o caso.

A questão é que não se cria um ambiente de suspense desde o início da história. Ao contrário, pelo menos meia hora (mas deve ter sido muito mais) se direciona à ambientação da personagem principal – que não é complexa o suficiente para ser tão explorada-, o que cria uma sensação inquietante de “nada acontece”.

A atmosfera que reina é a de um filme adolescente que arranca, sim, alguns sustos (ocasionados principalmente pelas musiquinhas sinistras seguidas de um baque), mas que definitivamente não supera as expectativas e ainda tem o azar de ser sucessor de um filme tão bom do mestre do terror.

Shia LaBeouf é super simpático e realmente parece estar no caminho certo para brilhar sob os holofotes de Hollywood. Não fosse ele, nem o romancezinho do filme empolgaria o público. Carrie Anne Moss? Acaba sendo talento inexplorado nesse tipo de película.

Pode ser duro ou precipitado demais, mas minha aposta é que veremos Paranóia na Tela Quente daqui a alguns anos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Foi maravilhoso enquanto durou

Bem, depois de mais de 6 meses juntos, nós, Rafael e Andressa, resolvemos nos separar. Mas acalmem-se, a separação foi amistosa! Na realidade, estávamos precisando de um espaço reservado para que cada um escrevesse à sua forma e em seu tempo.

A experiência de colocarmos nossa opinião sobre algo que nos agrada tanto quanto o cinema foi extremamente gratificante e positiva. Motivo pelo qual continuaremos fazendo o mesmo, só que em espaços distintos. E claro, continuamos contando com a participação de todos vocês que tantos nos apoiaram e nos alegraram com seus comentários e visitas. Sem sombra de dúvidas, era (e ainda é) o que nos motiva a estar sempre escrevendo.

Na separação de bens, o Cinematógrafo XXI fica nas mãos de Andressa, enquanto que Rafael passa agora a escrever num espaço novo, o Moviola Digital - http://www.movioladigital.blogspot.com/ .

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O futuro ao HOMEM pertence

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006)
Dir: Alfonso Cuarón



Sempre que assistia a filmes futuristas, com todas aquelas máquinas e supertecnologia, me perguntava: “será que ninguém entende? Não vai ser desse jeito!”.

Na minha singela percepção de mundo, enxergava um futuro de pura violência, dominação cultural e racial, fome, desgraça e, no meio disso tudo, uma tecnologia que, mesmo avançada, não passaria de um tiro n’água ante toda a conturbação social gerada pelo homem.

Filhos da Esperança vem exatamente desmistificar a noção floreada de um futuro próspero proveniente da evolução tecnológica. O mais interessante é que a forma encontrada para tal não foi apenas a fome, doenças ou falta de fontes de energia, o que seria mais comum, e sim todos esses problemas culminando numa estrutura social caótica que gerou um problema jamais imaginado: a impossibilidade de reprodução. À primeira vista pode soar surreal demais, mas funciona no mínimo como uma primorosa metáfora do que pode acontecer se o homem mantiver o atual ritmo e “qualidade” de sua evolução na Terra.

O filme é magnífico em todos os aspectos. Além de trazer uma narrativa interessantíssima e bem contextualizada, guiada através da personagem de Clive Owen (que está impecável no papel), apresenta recursos técnicos de tirar o fôlego, desde os incríveis planos-sequência, até a fotografia e ambientação sombrias que nos transmitem perfeitamente o clima de destruição e angústia presentes na Londres de 2027.

Além de um filme para rever, fica a reflexão de onde toda a ganância do homem pode chegar.

Postado por Andressa Cangussú

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A serviço de uma pátria

O Bom Pastor (The Good Shepherd, EUA, 2006)
Dir: Robert De Niro




Com Desafio no Bronx, de 1993, Robert De Niro estréia na direção com o pé direito, embora o resultado tenha sido apenas mediano. Mas somente 13 anos depois ele volta a trabalhar atrás das câmeras e pelas qualidades de O Bom Pastor, o tempo lhe fez muito bem. Seu segundo filme conta com uma produção bem melhor é bastante audacioso: focar as três primeiras décadas do surgimento da CIA que acompanhamos através da entrada do agente Edward Wilson (Matt Damon, ótimo) na corporação.

O filme já começa no ano de 1961 quando a CIA investiga os motivos para o fracasso da ocupação de Cuba durante a famosa invasão da Baía dos Porcos; tudo indica que há um espião dentro da própria organização. Mas aí o filme se utiliza de constantes flashbacks para, duas décadas antes, mostrar o surgimento da CIA, o entrada de Edward e o treinamento deste no Serviço de Inteligência inglês durante a Segunda Grande Guerra.

Desde o início, somos testemunhas do sacrifício com que o protagonista assume o seu perigoso e ultra-secreto ofício em detrimento de sua família e de sua própria felicidade. Somos apresentados a um personagem que raramente ri e cheio de dilemas morais, sempre envolvendo a relação com aqueles que estão mais próximos. Sua mulher (Angelina Jolie) mal o conhece e sua relação com o filho é de distanciamento.

Vale ressaltar aqui a excelente reconstrução de época com uma direção de arte primorosa (única indicação no último Oscar). Pena que o filme se estenda por um tempo muito longo, o que pode cansar o espectador. É preciso muita atenção para não deixar passar os mínimos detalhes que ajudam a desenvolver a narrativa. Depois dessa ótima experiência, espera-se que De Niro continue assim, tão bom atrás das câmeras quanto o é na frente delas.

Postado por Rafael Carvalho

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

"Um filme ousa ser feio"

Os Simpsons – O Filme (The Simpsons Movie, 2007)
Dir: David Silverman




A primeira sensação dos admiradores da série ao se sentarem na poltrona do cinema certamente é de medo, afinal adaptações sempre são arriscadas e ver Os Simpsons na lista das mal sucedidas seria realmente uma pena. Bem...Respiremos aliviados! Os Simpsons - o filme supera as expectativas e cativa por manter a linha irreverente e irônica da série original.


O enredo é envolvente e mantém as críticas afiadas como de costume. Logo no começo, Hommer despeja um contundente discurso sobre a obrigação de ir à missa, questionando a necessidade de fazê-lo e confrontando ao mesmo tempo as religiões e o puritanismo da sociedade americana – excelente! -, sem contar o comentário sobre a Bíblia: “Esse livro não tem nenhuma resposta”.

O governo não fica de fora e é atacado durante todo o filme, sendo acusado de tomar decisões aleatórias e que não levam em consideração a situação das pessoas envolvidas (impossível não remeter à realidade dos iraquianos). O meio ambiente também teve seu destaque: interessantíssima a provação enfrentada por Hommer – rosquinhas de graça ou fazer a coisa certa pelo meio-ambiente? – Mais uma vez uma espetada no governo e em cada cidadão que ignora os avisos (como Hommer fez com as placas) do perigo da poluição.

Assuntos sérios à parte, as risadas são garantidas e se mantém por todo o filme. Como não citar o “Porco-aranha” e a cena em que Bart anda de Skate nu pela cidade enquanto vários obstáculos nos impedem de vê-lo “por completo”?

Enfim, se você quiser cometer a idiotice de pagar pra ver o que pode ver de graça em casa, vale à pena!


Por Andressa Cangussú