Em 2001, o diretor Richard Linklater lançou Waking Life, um filme de animação feito através do processo de rotoscopia em que as cenas filmadas normalmente em live-action são recobertas por animação gráfica, dando ao filme um aspecto de desenho animado. Esse ano chegou ao Brasil O Homem Duplo, filme em que o diretor se utiliza da mesma técnica. Técnica essa que se ajusta muito bem dentro da proposta de cada filme. Se no primeiro há uma atmosfera constante de um sonho que nunca acaba, no segundo os personagens aparecem num ambiente de paranóia e ilusão diante da realidade, causada pelo uso das drogas. Vamos a eles.
O Homem Duplo (A Scanner Darkly, 2006)
Cotação: 7/10

Há, por parte do personagem, a tentativa de lutar contra uma espécie de degradação de sua própria identidade. A confusão mental que vai tomando conta dele nos leva a pensar se aquilo que vemos na tela é real ou somente fruto da desordem de seu imaginário.
A atmosfera de alucinação (a cena inicial, por exemplo, é angustiante) se acentua ainda mais pela presença e atitude dos "amigos" drogados, interpretados por Rory Cochrane, Woody Harrelson e Robert Downey Jr. Esse último, numa atuação louvável. A personagem enigmática de Winona Ryder completa o time dos junkies e reserva para o final uma surpresa que resulta num tom melancólico, doloroso, mas irreversível.
Waking Life (Idem, 2001)
Cotação: 5/10

Inicialmente, Waking Life (que pode ser traduzido como "Vida Desperta") se mostra uma experiência sensorial agradabilíssima, que enche os olhos com seu visual inovador e inebriante. Infelizmente, essa sensação vai se esvaindo à medida em que o filme transcorre e as discussões, existencialistas ou não, se tornam vazias e frágeis demais. Dão a impressão de conversa jogada fora. Além do mais, elas podem se tornar cansativas para quem não é acostumado.
E talvez a grande sacada do longa seja esta: toda a verborragia é usada como pretexto para a inclusão do processo de animação, a única coisa que parece funcionar no filme (e muito bem). As explicações filosóficas não passam de discursos vagos. Isso me faz pensar que de tão complexa a condição do ser humano, mais vale o sonho do que a vida real. E a necessidade que temos de explicar cientificamente todas as cosas se opõe ao simples desejo de sonhar. Ou estou errado?
Postado por Rafael Carvalho
3 comentários:
Rafael, gostei muito de O HOMEM DUPLO. Achei doidão², como você disse, melancólico e doloroso - incrível como o tom down dos personagens consegue incomodar o espectador durante a exibição. Philip K. Dick é fonte inesgotável para grandes obras do cinema!
Não vi Waking Life, mas gosto muito do Linklater, desde filmes despretensiosos como A ESCOLA DO ROCK, até pequenas obras de poesia como BEFORE SUNSET e BEFORE SUNRISE.
abração!
Eu conheco pouco sobre "Waking Life", então não posso falar sobre!
Mas "O Homem Duplo" me atiça muito, adoro filmes junkies e no estilo bem viajão...
Esta técnica de animação é realmente fascinante, não é a mesma usada em "O Expresso Polar"?
Ahh cara vc tem orkut?
Abraços!!!
Lembrando...
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